Vários botões um ao lado do outro, com o excluir no centro e um cursor sobre o mesmo.

Usabilidade: excluir, deletar, apagar, remover ou cancelar?

Um breve estudo sobre o melhor termo que represente a funcionalidade.

Uma das operações básicas de qualquer sistema de informação é a funcionalidade de “excluir” um registro, porém, sua nomenclatura é representada comumente de diversas formas: excluir, deletar, apagar, remover e cancelar.

Afinal, qual a melhor opção?

Entendendo o significado das palavras

Consultando o ‘pai dos burros’, o famoso e cada vez menos utilizado “Dicionário”, percebemos que todas elas são sinônimas, isto é, possuem significados semelhantes e com isso, qualquer uma pode ser empregada para representar a ação.

Aprofundando-se no estudo dos significados e etimologias desses termos, em consideração a sua utilização na terminologia tecnológica (para sistemas de informação), podemos simplificar em 3 grupos de significados diferentes:

  • (1) Excluir, deletar, apagar: fazer desaparecer, sumir, extinguir, suprimir;
  • (2) Remover: mover novamente, transportar de um ponto para outro, colocar fora do caminho, afastar;
  • (3) Cancelar: tornar nulo, sem efeito, sem valor, interromper temporariamente ou definitivamente, suspender;

Verificando o termo utilizado nos principais sistemas

Os sistemas operacionais (SO’s) devem ser considerados os melhores exemplos para definirmos a terminologia adequada, visto que, todos a maioria dos usuários para utilizarem seu sistema farão uso antes de um SO.

Levando-se em conta portanto os SO’s mais utilizados (segundo a Wikipedia), em suas versões mais atuais, temos as seguintes representações:*

Usabilidade: botão excluir registro nos diversos SO's (Windows, Mac OS e Linux)
*as representações da opção “excluir” ao clicar com o botão direito (do mouse) sobre um arquivo em cada Sistema Operacional.

  • Windows: excluir;
  • Linux: mover para a lixeira;
  • Mac OS: mover para o lixo.

Examinando alguns dos mais populares sistemas, temos as seguintes utilizações:

  • Excluir: Microsoft Office, Adobe CC, Facebook, Gmail, Messenger, Instagram, Twitter, YouTube, Google Drive;
  • Apagar: WhatsApp, Messenger;
  • Remover: Facebook, Google Drive;

Fonte de acesso: (1) Web: Facebook, Dropbox, Gmail, WhatsApp, Twitter, YouTube; (2) Mac OS: Microsoft Office, Adobe CC; (3) iOS: Messenger, Instagram;

Aplicações recomendadas

Voltando aos 3 grupos de significados descritos no início do artigo (Entendendo o significado das palavras), seguem as aplicações de uso mais recomendadas para cada:

(1) Excluir, deletar, apagar: quando se deseja que determinado dado deixe de existir no sistema.
Exemplo de uso: excluir um contato telefônico de sua agenda no celular. Após a ação (excluir), o dado não estará mais acessível.

(2) Remover: quando se deseja “mover” o dado do local onde está situado, ainda que o mesmo permaneça a existir (de alguma forma) no sistema;
Exemplo de uso: remover o contato telefônico de um grupo de comunicação no celular. Após a ação, o contato é ‘removido’ do grupo, ou seja, deixa de estar situado no grupo porém o mesmo permanece presente em sua agenda no celular.

(3) Cancelar: quando se deseja que o dado não seja mais válido, isto é, sua existência permanece porém não possui mais validade no sistema;
Exemplo de uso: cancelar pedido realizado em site de compras. Após a execução de cancelamento, o dado (pedido) permanece disponível para acesso/consulta no sistema porém o mesmo não possui mais validade.

Conclusão

Os termos excluir, deletar, apagar, removercancelar são sinônimos, portanto a utilização de qualquer um deles deve atingir seu objetivo, porém, prezando pelas boas práticas de experiência do usuário (UX) e usabilidade, levando-se em conta a etimologia dos termos e padrões de uso, recomendamos a utilização do termo “Excluir” como o mais adequado.

Lembre-se da distinção dos 3 grupos onde excluir, remover e cancelar podem, de forma adequada, representar diferentes ações.

30 de novembro de 2016 - Sem Comentários


Levantamento de requisitos: o primeiro contato com o cliente

O processo de levantamento de requisitos geralmente envolve pessoas (requisitantes) que tiveram poucas ou nenhuma experiência na atividade, é natural que não saibam por onde começar.

Relaxe, isto é absolutamente normal e facilmente solucionável.

Tenha claro em mente: o requisitante ‘inicialmente’ não precisa entender o processo, pelo contrário, ele precisa é ter a clara visão de suas necessidades e os resultados que espera do sistema. O analista de requisitos por sua vez, não precisa ‘inicialmente’ entender as necessidades do requisitante, mas sim dominar técnicas de como transformar essas necessidades e anseios em uma solução viável de sistema.

Essa ‘filosofia’ deve ser compartilhada a todos os envolvidos nas reuniões iniciais, deixando claro os papéis e responsabilidades de cada um.

Este alinhamento com o requisitante na etapa inicial do levantamento de requisitos, em geral, deixa-o mais confortável para expor suas necessidades e mais confiante no processo, uma vez que o analista demonstra domínio da atividade e toma para si a responsabilidade da execução.

Pessoas reunidas para levantamento de requisitos em volta de uma mesa

É fundamental nesta fase inicial do levantamento de requisitos que o analista conheça a maturidade do requisitante quanto a suas necessidades e anseios. Na maioria das vezes, para não dizer sempre, o requisitante ainda não sabe de fato o que realmente precisa, é neste momento que as habilidades de um bom analista se faz fundamental para o alcance do objetivo inicial: maturar as necessidades.

Realize sessões de brainstorm, ouça-o atentamente e colha informações importantes que lhe servirão de subsídio para a evolução do processo.

“As pessoas não sabem o que querem até mostrarmos a elas.” (Steve Jobs)

Uma das características mais admiráveis de um bom analista de requisitos é perceber em meio as entrelinhas, importantes funcionalidades e soluções que o requisitante não tornou explícito, ou muitas vezes, nem imaginava que seria interessante ou necessário.

“Se eu tivesse perguntado às pessoas o que elas queriam, elas teriam dito: cavalos mais velozes.” (Henry Ford)

Concluindo portanto:

  • ouça atentamente;
  • entenda as necessidades;
  • colha detalhes implícitos;
  • compartilhe sentimentos;
  • documente definições;
  • forneça alternativas;
  • traga o inesperado;
  • proponha boas soluções.

Exerça sua responsabilidade com maestria!

30 de agosto de 2016 - Sem Comentários


6 dicas essenciais para desenhar bons protótipos

Com poucos materiais e em poucos minutos, durante até mesmo a própria reunião de requisitos junto ao cliente, os protótipos criados a mão se figuram em uma das formas mais fáceis e rápidas de se experimentar um produto.

Recomendado para protótipos de baixa e média-fidelidade, os protótipos criados a mão constituem uma etapa essencial do desenvolvimento de um sistema (ou software), tendo como principais benefícios:

  • planejar e compartilhar ideias de interface e disposição da organização de forma mais efetiva;
  • validar o atendimento aos requisitos do sistema antes do início de seu desenvolvimento;
  • percorrer e simular o fluxo de forma mais compreensível que em diagramas;
  • permitir aos envolvidos a coleta de valiosos feedbacks que os auxiliarão na tomada de decisões;
  • permitir o “uso” do produto de forma rápida e com baixo custo.

Sabendo-se de sua grande utilidade, chegou a hora de colocar a mão na massa e começar a criar com essas 6 dicas essenciais:

1. Ambiente

Os itens básicos e obrigatórios no ambiente para se prototipar são o espaço e a iluminação.

Recomenda-se que tenha uma mesa grande livre para poder espalhar seus materiais, deixando-os visíveis e fáceis de serem manuseados. Outro ponto importante é com este espaço poder espalhar as várias folhas já desenhadas a fim de facilitar a visibilidade dos protótipos.

várias folhas com protótipos desenhados sobre a mesa
Crédito: By Sage Ross (Own work) [CC BY-SA 4.0], via Wikimedia Commons

Quando se cria protótipos guiados, isto é, com a ajuda e considerações de outros envolvidos em volta, é bom que tenha-se um ambiente quieto e calmo a fim de facilitar a comunicação e não atrapalhar na criatividade. Porém, caso esteja criando protótipos sozinho, sem a comunicação com outros envolvidos durante o processo, uma boa música de fundo é essencial!

Dê preferência às músicas instrumentais por facilitarem a concentração e foco durante a criação. Dica: existem boas playlists no Spotify, basta procurar pela categoria “Foco”.

2. Materiais

Em minha consideração, os itens fundamentais na atividade de desenho de protótipos são:

Papel:

Prefira papéis inteiramente brancos ou quadriculados (evite pautados), todas do mesmo tamanho para facilitar a organização e disposição. Tenha folhas o bastante para criar várias propostas e também não se preocupar em errar, mas claro, pense sempre no meio-ambiente e evite o desperdício! 😉

Os papéis em branco lhe dão maior liberdade para desenhar os elementos da forma e posição que desejar, por esta razão, são mais recomendados a usuários com boa habilidade nos traçados, de forma que os protótipos não fiquem muito ‘assimétricos’, se é que me entendem.

Os papéis quadriculados por sua vez, facilitam o desenho dos elementos de forma simétrica aproveitando-se das linhas como referência para o protótipo. Recomendado aos usuários com menores habilidades nos traçados. O ponto ‘negativo’ desses papéis é que os quadriculados, dependendo da opacidade de seu traçado, muitas vezes podem se misturar com os traçados do protótipo e causar um desconforto ou confusão visual.

Lápis e borracha:

Itens essenciais a qualquer desenhista, ou, prototipador – no caso.

Prefira lápis fáceis de serem apagados e borrachas que dificilmente borram, tornando rápido o processo de rascunho e evitando marcas ao longo da evolução do desenho, pois desenhar e apagar pode ser atividade comum.

Lápis de cor também são bem vindos no processo de prototipação. Quando bem utilizados, darão um ar mais profissional aos protótipos.

Canetas

Qualquer caneta esferográfica (do tipo Bic ou Compactor) já são suficientes para deixar os traços mais fortes e marcantes no protótipo.

Utilize diferentes espessuras para os traçados, variando de finos para grossos e canetas coloridas a fim de diferenciar os elementos no protótipo.

Utilizo canetas de tinta nanquim e particularmente as recomendo pois os traços ficam melhor definidos e dão a aparência que foram impressos ao invés de desenhados.

Possuo canetas nanquim do tipo profissional recarregável (Desegraph) e descartáveis (Uni). Recomendo fortemente as descartáveis pela praticidade e facilidade de uso.

Materiais complementares

Prancheta: tenha sempre uma por perto, elas possuem um custo baixíssimo e uma utilidade gigantesca: permitem que você realize seu traçados independentemente da superfície disponível, pois nem sempre temos aquela mesa bacana com espaço livre.

Régua: facilita a criação dos traços retilíneos e a divisão simétrica dos elementos no protótipo, como exemplo, os grids estruturais. Lembrando que quanto mais retilíneos e simétricos forem seus traços e elementos, maior será a impressão de fidelidade do protótipo, já traços menos definidos e simétricos, dão a impressão de protótipos de baixa fidelidade. Ambos são importantes e possuem seu valor, o que depende é o objetivo de sua criação e utilização.

Post-it: possibilitam o incremento de comentários em protótipos que não possuem mais espaço ou não podem/devem ser poluídos com informações ‘complementares’.

Canetas nankin, canetas coloridas, lápis, borracha, apontador, papel e prancheta sobre uma mesa

Esses são os materiais que atualmente utilizo para prototipar:

  • lápis comum, borracha e apontador;
  • canetas nankin com pontas de várias espessuras (0.1, 0.3 e 0.8) (marca unipin);
  • canetas hidrográficas coloridas para escritas maiores (marca Faber Castell);
  • canetas finas coloridas 0.4mm (marca Compactor);

3. Por onde começar: os primeiros rabiscos e elementos básicos do protótipo

Defina e limite a proporção a ser trabalhada:

Diferentes dispositivos possuem geralmente diferentes proporções de tela e essa importante informação deve ser considerada na criação dos protótipos.

Delimite a área a ser trabalhada com traços fortes.

Rascunhe o dispositivo ou janela do aplicativo

Com o intuito de facilitar o entendimento do usuário – do protótipo – e permitir uma melhor comparação com a realidade, o rascunho do dispositivo é altamente recomendado.

Vários protótipos desenhados a mão
Crédito: Radu Luchian – Tools of the trade: Sketching the web

Na internet é possível de encontrar diversos modelos e exemplos legais a serem utilizados.

Defina os grids

Com a área útil a ser trabalhada devidamente pronta para o desenho, crie mentalmente (no caso de protótipos de baixa fidelidade) ou delimite de lápis com o auxílio de uma régua (no caso de protótipos de média/alta fidelidade), os grids a serem trabalhados.

Esses traços (grids) lhe auxiliarão na organização dos elementos durante todo o processo de prototipação e darão um senso de estética confortável ao desenho. Podem também facilitar (e muito) a futura codificação da tela, uma vez que existem diversos frameworks de front-end (HTML e CSS) que utilizam dessa prática.

Um dos grandes princípios do design é trabalhar com grids. caso esse termo ainda não seja familiar ou considerado em seus trabalhos, recomendo veemente seu estudo e aplicação nos trabalhos de prototipagem.

4. Experiência centrada no usuário

Quando se desenvolve um sistema, ele é projetado para seus usuários e não para o requisitante, pense sempre nisso!

Portanto, foque na experiência do usuário, isto é, crie seus protótipos pensando exatamente como o usuário gostaria de se interagir com o produto. Foco na interação.

Aplique ao máximo seus conhecimentos em usabilidade e acessibilidade. Facilite seu uso!

Usuário manuseando protótipos feito a mão
Crédito: Walker Kim

5. Inspire-se

Não é preciso reinventar a roda!

Muitas telas e interações já foram profundamente estudadas por especialistas e aplicadas em inúmeros projetos. Quando elas funcionam bem, não se faz necessário reinventa-las, pelo contrário, aproveite-as em seus protótipos.

Protótipos bem desenhados em um caderno e ao lado, caneta, régua e celular.
Créditos: The Guild

Se você precisa de uma boa inspiração, encontre-a nos melhores.

Como exemplo, a ‘simples’ página inicial do Google possui uma barra de pesquisa que é sua valiosa ‘ferramenta principal’. A experiência ao usá-la com certeza passou e passa por diversos estudos e aprimoramentos. Utilize-se dessa experiência para sua inspiração.

Lembre-se sempre que há uma grande diferença entre se inspirar e copiar uma ideia. Seja criativo!

6. Experimente seu protótipo

O protótipo é a forma mais rápida e barata de se usar um produto. Este é seu objetivo!

Usuário experimentando protótipo desenhado a mão
Crédito: Low fidelity prototype testing of the EE app (The UX Playground / Youtube)

Quando criados em papéis, experimentar os protótipos com outros usuários se torna incrivelmente fácil uma vez que você precisa somente de apontar, seja com o dedo ou uma caneta para simular seu uso e colher feedbacks. Existem inclusive técnicas para estudo de usabilidade aplicáveis aos protótipos de papel. Faça bom uso!

Leituras complementares

30 de junho de 2016 - Sem Comentários